O que pode e o que não pode quando você dá aula na Mentoria.
Verbatim · Eric, imersão 01/04
"A gente não tem aula de ferramenta. A gente tem aula de solução."
Conte de onde você veio e o que você não sabe. A primeira coisa que o aluno precisa acreditar é que ELE consegue.
"Eu não vim da tecnologia, aprendi resolvendo problema da minha área."
Abrir por stack, certificação, tempo de casa ou "eu trabalho com isso há X anos".
Currículo na abertura afasta: o aluno conclui que aquilo é pra quem é como você.
De onde veio
O Eric abre toda aula com "eu sou músico de formação" — imersão 01/04, G4 Tools 17/06, palestra 30/06. Verbatim: "Não precisa ser conhecimento técnico pra você ser especialista em IA."
"No fim desta aula você vai ter X rodando." Resultado, não assunto.
Se a promessa só cabe com "e também", tem duas aulas ali dentro. Corta.
Abrir por agenda, por "hoje a gente vai falar sobre", ou recapitulando a aula passada.
Na Mentoria não existe turma — entra gente toda semana. Cada aula se sustenta sozinha.
De onde veio
Palestra 30/06, primeiro minuto: "vou mostrar como você está perdendo meses da sua vida todo ano — e 10 dicas pra resolver hoje."
Cola numa sessão nova antes de montar a aula. Ela te entrevista e devolve a promessa em uma frase — e avisa se tem duas aulas ali dentro.
Você é diretor de conteúdo educacional e vai me ajudar a fechar a promessa de uma aula que eu vou dar. Contexto: eu dou aula prática de IA aplicada a negócios para empresários e gestores que NÃO são desenvolvedores. A aula é ao vivo, dura [DURAÇÃO], e o assunto é [ASSUNTO]. Me entreviste, uma pergunta por vez, esperando minha resposta antes da próxima, até conseguir extrair: 1. O que exatamente o aluno vai CONSEGUIR FAZER sozinho depois da aula — resultado observável, não assunto coberto. 2. Qual é o estado dele antes e qual é o estado depois. 3. Qual é o entregável concreto que ele leva embora. Regras da sua devolutiva: - Escreva a promessa em UMA frase, começando por "No fim desta aula você vai...". Se ela só couber usando "e também", me diga explicitamente que existem DUAS aulas aqui dentro e proponha o corte. - Aponte tudo que eu descrevi como "assunto" em vez de "resultado", e reescreva como resultado. - Liste o que eu vou ter que TIRAR da aula pra promessa caber no tempo. Não me elogie. Se a promessa estiver genérica ou fraca, diga isso na primeira linha.
"MCP é a mãozinha da IA — é por onde ela pega nas suas ferramentas. Tecnicamente, é um protocolo."
Escolha os 3 termos antes da aula. O resto do vocabulário técnico é corte, não tradução.
Soltar a sigla e seguir: deploy, repositório, endpoint, token, webhook, JSON, container, stack.
Definição primeiro e analogia depois. Quando a definição chega, a sala já se perdeu.
Verbatim · Eric, G4 Tools 17/06
"Lembra que eu sou músico, sou professor. Eu não vou falar em grego com vocês. Só que aqui tem três terminologias que vão ser importantes."
A regra por trás
A analogia é sempre do mundo físico — cozinha, obra, carro, gente contratando gente. "É tipo um protocolo" não é analogia, é mais jargão.
Cola junto com o roteiro ou a transcrição da sua aula. Ela caça toda sigla, escolhe as 3 que ficam e escreve a analogia de cada uma.
Você é revisor de linguagem didática. Meu público são empresários e gestores que não programam e não conhecem vocabulário de tecnologia.
Vou te mandar o roteiro (ou a transcrição) da minha aula. Faça o seguinte:
1. Liste TODO termo técnico, sigla ou anglicismo que aparece — inclusive os que eu considero óbvios: deploy, repositório, endpoint, token, webhook, container, JSON, stack, prompt de sistema, API, e qualquer outro.
2. Para cada um, diga se ele é ESSENCIAL pro aluno executar o que eu prometi, ou se é vocabulário meu que dá pra cortar sem perda nenhuma.
3. Dos essenciais, escolha no máximo TRÊS. Todos os outros: reescreva a frase sem o termo.
4. Para cada um dos três, escreva uma analogia do MUNDO FÍSICO e cotidiano — cozinha, obra, carro, casa, gente contratando gente. Monte a frase com a analogia ANTES da definição técnica. Se você não achar analogia do mundo físico pra algum deles, diga que não achou em vez de inventar uma analogia técnica ("é tipo um protocolo" não vale).
5. Devolva uma tabela final: a frase exata que eu falo hoje | a frase reescrita.
Não suavize. Se eu estiver falando difícil, aponte todas as ocorrências.
Pergunte o segmento no chat, escolha um e trabalhe com ele a aula inteira.
Ensinando níveis ou etapas, use a mesma tarefa em todos — o que muda entre eles é o método, não o caso.
Um exemplo novo por conceito. O aluno conclui que cada caso precisa de um método diferente.
Exemplo genérico ("uma empresa X"). Ninguém se reconhece numa empresa que não existe.
De onde veio · G4 Tools 17/06
Um aluno escreveu "Sapatomania" no chat. A loja de sapato dele virou a aula inteira: site, vídeo, carrossel, post. A sala inteira assistiu o próprio negócio ser construído.
Rode a mesma coisa nas duas condições e deixe a diferença aparecer na tela.
Duas janelas abertas lado a lado valem mais que dez minutos de argumento.
Explicar por que um jeito é melhor que o outro. Explicação o aluno desconta.
Mostrar só o resultado bonito. Sem o ruim do lado, ele não tem régua nenhuma.
De onde veio · aula do panetone (Mentoria)
Mesmo pedido, duas janelas: uma sem contexto, outra depois de a IA ler o site e ouvir a história da empresa. Ninguém precisou de argumento — a legenda falou sozinha.
"Digita aí no chat", "levanta a mão quem" — e leia as respostas em voz alta, com o nome da pessoa.
Pergunta técnica que trava o fluxo você parqueia: avisa que parqueou e cumpre no final.
Vinte minutos de slide sem interação. Quem fala sozinho perde a sala e não percebe.
Atropelar o momento em que a sala reagiu. Deixa o silêncio depois do "uau".
De onde veio · G4 Tools 17/06
"Daqui a pouco eu vou trazer essas perguntas mais técnicas — eu tô respondendo tudo, e as que são um pouco mais técnicas a gente deixa pro final." E ele voltou.
Cola com o roteiro pronto, antes de dar a aula. Ela entra como o aluno e te mostra o minuto exato em que ele se perdeu.
Você vai simular o ALUNO da minha aula, não o professor. Perfil que você assume: dono de empresa de [SEGMENTO], entre 35 e 55 anos. Entende muito do negócio dele e nada de tecnologia. É inteligente, é ocupado, já se frustrou antes com promessa de ferramenta. Não tem paciência com termo que não entende — e não vai admitir em público que não entendeu. Vou te mandar o roteiro da minha aula. Leia como esse aluno e me devolva: 1. O PRIMEIRO momento em que ele se perdeu: a frase exata, e o que ele deixou de entender dali pra frente. 2. As perguntas que ele faria em voz alta — e as que ele faria só na cabeça. As que não viram pergunta são as piores; liste essas separadamente. 3. Onde ele achou que eu estava vendendo em vez de ensinando. 4. Onde ele pensou "isso funciona pra você, não pra mim" — e o que faltou pra virar o caso dele. 5. Depois de assistir, ele consegue executar sozinho o que eu prometi? Responda SIM ou NÃO. Se for não, diga exatamente o que faltou. Seja duro. Aluno educado demais não me ajuda.
Deixe o erro aparecer e resolva na frente da sala. É a prova mais forte de que aquilo é real.
Avise antes: "vai dar erro em algum momento, e resolver na hora faz parte."
Regravar até sair perfeito, cortar o trecho que deu ruim, ou rodar em ambiente de demonstração.
Demo perfeita demais cheira a truque — e o aluno trava quando o dele der erro.
De onde veio · G4 Tools 17/06
A geração de vídeo deu timeout, a chave não foi encontrada, o agente tentou outro caminho e se corrigiu sozinho. Foi esse trecho — não os que deram certo — que provou que era um agente de verdade.
"Áudio de 58 segundos — site com vídeo e imagem publicado."
"R$30 de consumo, 2.500 contatos captados em uma semana."
"Muito rápido", "extremamente poderoso", "isso muda tudo".
Hype é anti-padrão da casa. O que a gente entrega é empoderamento, não empolgação.
A regra por trás
Adjetivo o aluno desconta na hora — ele já ouviu de todo mundo. Número ele anota, refaz com os dados dele e vira decisão.
"Isso ainda não existe." "Aqui vai dar erro." "Eu vivo isso 12 a 14 horas por dia — é prática, não talento."
Separe o que roda de verdade aqui do que é possibilidade.
Prometer material, integração ou resultado que você não conferiu item a item no destino.
Deixar o aluno achar que sai fazendo sozinho no primeiro dia.
De onde veio · G4 Tools 17/06
Ele apresenta cinco níveis e fecha dizendo que o nível 5 não existe e que chegar no 4 é dificílimo. É o limite declarado que faz a sala acreditar em todo o resto.
"Sua tarefa é X, com o número Y — posta no grupo em 48h."
O dever de casa da sua aula vira a pauta da mentoria técnica daquela pessoa.
Fechar em "qualquer dúvida me chama". Ninguém chama.
Mandar o aluno anotar à mão. Na casa, o registro é sempre conversando com a IA.
A regra por trás
Aula sem entregável não é aula — é introdução. E a última coisa que sai da sua boca é a frase de fechamento, nunca o checklist.
Cola com a transcrição de uma aula que você já deu. Ela audita contra as 10 regras e devolve as três mudanças de maior impacto.
Você é auditor de aula. Vou te mandar a transcrição de uma aula que eu já dei, para empresários e gestores que não são técnicos.
Audite contra os critérios abaixo e devolva uma tabela: critério | passou ou não passou | evidência (a citação exata da transcrição).
1. PROMESSA — nos primeiros 2 minutos existe uma frase de resultado ("você vai conseguir X")? Ela foi cumprida no fim?
2. BARREIRA — a abertura derruba a barreira do aluno, ou gasta tempo provando que o professor sabe?
3. JARGÃO — liste TODA sigla ou termo técnico usado sem tradução imediata, com a citação e a posição aproximada na aula.
4. EXEMPLO ÚNICO — o mesmo exemplo atravessa a aula ou troca? Liste os exemplos usados, na ordem.
5. CONTRASTE — em algum momento o errado foi mostrado ao lado do certo?
6. INTERAÇÃO — qual foi o MAIOR intervalo, em minutos, sem uma pergunta pra sala ou algo acontecendo na tela?
7. ERRO — algum erro apareceu e foi resolvido na frente da sala, ou tudo saiu perfeito demais?
8. NÚMERO — liste as afirmações de benefício feitas só com adjetivo ("muito rápido", "poderoso") e proponha o número que faltou em cada uma.
9. LIMITE — em algum momento foi dito o que a ferramenta NÃO faz ou onde ela erra?
10. ENTREGÁVEL — a aula termina com tarefa concreta e prazo, ou com "qualquer dúvida me chama"?
11. AUTOCONTIDA — a aula depende de alguma aula anterior pra fazer sentido?
Feche com as TRÊS mudanças de maior impacto pra próxima aula, em ordem de impacto. Só três, e cada uma com a ação concreta. Sem elogio e sem resumo do que foi bom.
Seu próximo passo
Antes da sua próxima aula, roda o Prompt 1 e posta a promessa em uma frase no grupo do time. Depois da aula, roda o Prompt 4 com a transcrição.
"O aluno não lembra do que você explicou.
Lembra do que ele conseguiu fazer."
Você já sabe fazer. O trabalho agora é fazer o outro conseguir — e isso é técnica, não é dom.